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Autokriptografia

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Autokriptografia é uma obra musical surrealista composta por Carlos Alberto C. Torres Júnior (desde 2012, Carlos Alberto Frank), pianista e compositor baiano (1969-) escrita no Rio de Janeiro em 1992, adaptada e encenada para o teatro em 1993 pela UNIRIO. A peça, em 3 atos, aborda a dicotomia contraditória da felicidade versus consciência e como o apego e as paixões podem levar a enxergar o mundo de diversos pontos de vista: feliz para uns, infeliz para outros. A visão religiosa dos personagens que se encontram em uma realidade extracorpórea é responsável pelo estado o qual eles se encontram.

A obra musical e escrita é também recheada de simbolismos cabalísticos no qual as palavras e notas musicais se desdobram em múltiplos significados muitas vezes reforçando o sentido denotativo, outras vezes criando uma ambiguidade aparentemente excludente, mas complementar no sentido metafórico.

Como entender "Autokriptografia"[editar]

O Universo de Autokriptografia engloba os conceitos da teogonia Católica e Védica. O personagem relata em primeira pessoa suas impressões após a morte física, à medida que lembra de sua vida no plano físico. Utiliza-se, além dos termos típicos dessas teogonias como Karma, inferno, destino, Deus, termos cunhados pelo Espiritismo como Umbral, desencarnados, etc. Esse mundo onde o personagem desenvolve sua saga alude aos conceitos de “mundo espiritual” do kardecismo (minuciosamente descrito no Livro dos Espíritos de Allan Kardec) e sua trajetória ao encontrar reinos diferentes alude os círculos da Divina Comédia de Dante.

Na teogonia Védica, acima do plano físico existem mais seis planos de consciência. O plano em que encontram-se os espíritos recém desencarnados, imediatamente acima do plano dito “Físico” (e logo abaixo do plano “Mental”) é denominado plano “Astral”. Este consiste numa réplica do Universo físico considerado real, porém imaterial em cujas formas säo projeções das lembranças e sentimentos dos seres que o habitam. Neste plano encontram-se seres em diferentes níveis de consciência que agrupam-se conforme suas afinidades. O níveis mais altos ou de maior “consciência espiritual” são descritos nos capítulos 2 e 8, enquanto que o mais baixo desenrola-se no último capítulo. Nos níveis intermediários encontrar-se-iam pessoas comuns do cotidiano.

A Mensagem do conto é escrita de forma que carrega 3 formas simultâneas de interpretação e que são mutuamente concordantes. Estas 3 formas podem ser entendidas como a forma:

  • Literal: Uma história de amor no qual o espírito de um homem procura obcecadamente, no além pós-morte, sua amada, também já falecida. Entretanto, por encontrarem-se em níveis espirituais diferentes, enfrenta diversas dificuldades para alcancá-la, tendo que percorrer os diversos níveis evolutivos do plano Astral, deparando com os seres que encontra em cada um deles. Nessa interpretação não é dada metáforas a não ser as comparações de situação que são abundamente feitas no texto. Somente essa forma de interpretação reduz a mensagem principal do conto aos percalços que carência de amor produz.
  • Metafórica: Nessa interpretação, os símbolos adquirem significado psicológico e traduzem um significado emocional. Todos os discursos e situações vividas são, portanto, símbolos de um conteúdo afetivo e refletem como a realidade é sentida em detrimento de sua descrição. As metáforas encontram-se amplamente por todo o texto e säo associadas a cada um dos personagens, níveis e palavras utilizadas. Muitas vezes são enfatizadas com iniciais maiúsculas para referenciar que o sentido é muito menos literal que simbólico.
  • Cabalística: Indo além da interpretação metafórica e analizando os símbolos utilizados para as mesmas, depara-se enfim com a linguagem CRIPTOGRÁFICA ou codificada, que é o cerne mais profundo da mensagem do texto. Diversas palavras que muitas vezes säo usados ora em metáforas, ora em descrições, engedram o chamado significado “cabalístico” – um significado oculto que amplia a mensagem literal e psicológica levando à uma questão metafísica na qual säo debatidos conceitos como Verdade Absoluta, Infelicidade Absoluta, Consciência e Inconsciência.

Palavras cabalísticas[editar]

Uma palavra ou frase é considerada cabalística quando encerra um significado oculto pela soma e combinação de suas letras, adotando-se que cada letra corresponda a um número e este a um significado. É incessantemente pretendido que ocorra concordância entre o significado literal (aquilo que é efitivamente lido) e o significado cabalístico ao longo de todo o texto, invocando-se uma ressonância da mensagem mais profunda.

Existem, portanto, no texto determinadas palavras que, ainda que sejam usadas em diferentes contextos ou significados literais, evocam o conteúdo cabalístico através do símbolo. Cada uma delas relaciona-se por sua vez com um significado psicológico. Nesses pontos onde há a intercecção dos significados, a palavra cabalística está com inicial maiúscula. Exemplos: Lago, Estanho, Gelo, Escada…

O Paradoxo[editar]

Quando as 3 formas de interpretação são conhecidas e harmonizadas entre si, surge o paradoxo-tema: Uma vez que o ser tome consciência de sua condição, de seus limites e de todos os fatores que tornam seu ambiente mortífero, ele afastaria-se cada vez mais da condição de “felicidade”. Assim como, inversamente, quanto menos consciência ele tivesse de seu estado de degradação moral, espiritual ou qualquer outro, ele teria capacidade de sentir-se ou ser “feliz”, por ignorância. Isso contradiria as teogonias onde o estado de “felicidade plena” é alcancado dentro da consciência.

É ainda levantado se a felicidade ou infelicidade teria ou näo um “limite” para o ser humano seja ele encarnado ou não (a Infelicidade Absoluta). Esse debate filosófico é mais evidenciado no desenrolar das 7 torturas do último capítulo, onde o personagem demonstra que, a partir de um certo “grau” de sofrimento, nada mais que se inflija sente-se pior ou causa maior infelicidade. Isso tem direta correspondência com a limitação dos sentidos humanos, seja na visão, audição, etc. Em termos concretos: uma pessoa queimada a 10.000°C não sofre mais que uma queimada a 2.000°C. Em ambos os casos os limites humanos de dor física foram extrapolados e isso ocorreria analogamente em termos psíquicos.

A Mensagem de Autokriptografia[editar]

Assim como em todos os textos escritos de forma simbólica, a mensagem principal é sujeita a muitas interpretações, porém muitas delas são igualmente válidas se forem concordantes entre si. São aspectos diferentes da mesma realidade. Em suma, a estória trata sobre a evolução do ser, suas dificuldades face ao maior de todos os obstáculos ao seu seu seguimento: a carência (seja de conhecimento, amor, afeto, nutrientes, realização, etc.). Assim, fica lançado ao leitor a reflexão da mensagem, uma vez resolvido o paradoxo-tema, pois (apesar de toda linguagem simbólico-religiosa utilizada) seja qual for a posição ideo-filosófica ou religiosa, trata-se de um assunto intrínseco ao ser humano.


O Título da Obra[editar]

O próprio título do texto é carregado de metaforismos e camadas de interpretações sobrepostas. É formado pela junção de termos de origem grega e aí mais uma vez os 3 planos de interpretação são invocados.

  • No plano literal, kripto vem do grego κριπτα (morte ou recinto onde são postos os ataúdes), assim kriptografia é uma oposição à biografia, ou seja, um relato da morte ou das vivências após a morte, como é o caso. O acréscimo do prefixo auto indica que tal relato é feito pelo próprio personagem, assim como ocorre numa autobiografia. Já no início da estória tal sentido é revelado, quando o personagem toma conhecimento de que se encontra físicamente morto.
  • No plano metafórico, a mesma palavra pode SOAR como autoCriptografia e nesse caso o termo cripto (do latim) alude à escrita simbólica, codificada ou criptográfica. Isso já remete ao fato do conteúdo estar sob forma oculta dependendo-se da chave dos simbolismos. A presença do mesmo prefixo auto confere um significado psicológico, uma vez que o que ocorreria é uma criptografia do próprio personagem. Ele codifica a si mesmo na narração de seu idílio. Dentro da psicanálise é corrente valer-se dos símbolos e interpretá-los, pois quando o conteúdo descrito tem um cunho emocional que interfere na percepção imparcial dos fatos, são invocadas metáforas, aforismos e toda sorte de parábolas para veicular eventos cujo impacto psíquico sobrepõe-se à realidade.
  • Aprofundando no terceiro plano interpretativo, a mesma palavra também é carregada de conteúdo cabalístico uma vez que as partes fonéticas que a compõem, tanto silábicas como literais, resultam em somas cujos significados numéricos reforçam os sentidos anteriores, no caso, de morte e símbolismo, combinando-se assim como uma codificação da própria morte.

A U T O K R I P T O G R A F I A

1 + 21 + 20 + 15 + 11 + 18 + 9 + 22 + 20 + 15 + 7 + 18 + 1 + 6 + 9 + 1 = 194

194 evoca os arquétipos do 5 (pela soma dos algarismos) e do 23 (pela combinação dos algarismos). Säo números que emblemam o surreal, o que está além da forma, ou seja, a essência desprovida de seus revestimentos. O simbolismo e a natureza vibratória do número 5 é amplamente discutido em todos os compêndios esotéricos. Já o 23 (que também é um desdobramento do 5) remete aos 23 pares de cromossomos que constitui a espécie humana. Esse paralelo é também feito no final do livro quando o personagem visualisa a espiral de anjos em analogia à espiral cromossômica. Falando em pares, 194 corresponde a “um par” de 97 (2 X 97 = 194), que é o último número primo de dois algarismos, mais precisamente o 23° número primo!

Os números 9 e 7 säo de especial importância no texto, pois caracterizam o “DNA” da personalidade do personagem. 9 são as crianças que simbolizam seus aspectos psicológicos referentes a cada um dos 9 capítulos e 7 säo os níveis de evolução humana a serem galgados no plano Astral. Note-se também que a 7a letra do título (R) corresponde ao número 9 (o número de círculos infernais na Divina Comédia).

Numerologicamente, o título possui 16 letras e assim remete ao 7 – o número da evolução, porém sob a forma de 16 (Arcano chamado de “A Destruição da Torre”) revela-se sob uma das formas mais nefastas. 7 também é o número de sílabas do título e se continuarmos em verificações chegaremos aos próprios dados pessoais do escritor da obra cujo ano em que nasceu possui soma igual a 7 assim como o dia e o nome.

O título invoca também o princípio da “simetria inversa” que no texto ocorre muito sutilmente. Das 16 letras, metade säo vogais e outra metade consoantes; a primeira e a última letra são iguais; começa por ditongo e termina por ditongo e os 3 encontros consonantais (KR, PT, GR) estão centrados na palavra e equidistantes. São os reflexos evidentes que provém de uma palavra cabalística. Esses 3 dígrafos abrem outras portas através de seus significados numerológicos quando no 7° capítulo o personagem e duas das crianças encontram-se acorrentados.

Obviamente outros números são aludidos, todos derivados das combinações parciais do título, se bem que com significados não tão gerais quanto os já citados. E assim ocorre em muitos outros trechos onde esses números estão presentes.

  • Portal do teatro



Outros artigos do tema Teatro : Luis Alexandre Franco Gonçales, Peças de teatro do Brasil, Teatro dos Estados Unidos, Ópera, Suzy Lopes, Efeitos especiais, Teatros por país


O Simbolismo Musical[editar]

Progressões cíclicas de base 12

Todas as 25 composições que integram a peça musical utilizam notas, acordes, compassos e outros elementos musicais que estão, assim como as palavras, associações com os significados místicos dos números. Como o sistema de composição é o diatônico utilizando também seus semitons, a base sobre a qual é feita a correspondência é de 12 (os doze semitons da escala cromática). Das 12 progressões cíclicas possíveis é utilizada a 5a.

A nota “ré” foi escolhida para emblemar o número 1, pois sua escala possui características simétricas e é a mais grave que pode ser cantada (pelos baixos). A escala diatônica dórica (que comeca em ré) tem uma sonoridade típica marcial e severa. A 5a progressão (bem como a 7a que é seu inverso) foi escolhida por ser a que não tem subciclos, ou seja, contém todos os termos da progressão e pela razão de ser o arquétipo da “vibração”, que é justamente a base física do som.

A Associação de cada nota com um número provém da atribuição do significado místico do número ao sentido subjetivo do som numerado. Nessa atribuição foi levada em conta a enarmonia dos semitons do sistema temperado, assim como o sistema não temperado, onde ocorre diferença crescente entre os semitons.

Relação entre notas e os termos da progressão cíclica de base 12.

As letras foram também atribuídas aos números de maneira mais simples, seguindo a ordem alfabética, excepto a letra "p" que foi cambiada pela letra "v".

a → 1 j → 10 s → 19
b → 2 k → 11 t → 20
c → 3 l → 12 u → 21
d → 4 m → 13 p → 22 0
e → 5 n → 14 w → 23 *
f → 6 o → 15 x → 24 *
g → 7 v → 16 y → 25 *
h → 8 q → 17 z → 26 *
i → 9 r → 18 & → 27


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