Banga (arquitetura)

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Ficheiro:BANGA NOSSA.jpg
logo do grupo BANGA, créditos: grupo BANGA (cortesia do grupo)
BANGA
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Nome completo
Outros nomes grupo BANGA; Banga Nossa
Conhecido(a) por integrantes: Kátia Mendes, Yolana Lemos, Elsimar de Freitas, Gilson Mendes, Mamona Duca
Nascimento 01.2020
Luanda, Angola
Morte
Nacionalidade
Alma mater
Ocupação
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BANGA (também conhecido como grupo Banga ou Banga Nossa) refere-se a um grupo de cinco arquitectos angolanos que visam promover a cultura angolana através de projectos próprios ou iniciativas e eventos artístico-culturais [1]. Fazem parte dos elementos do grupo: Kátia Mendes, Yolana Lemos, Gilson Mendes, Elsimar de Freitas e Mamona Duca. O grupo faz parte de uma "geração mais jovem" de arquitectos angolanos, que busca principalmente uma ou várias identidades dentro da arquitectura nacional.


Formação do Grupo[editar]

Para este colectivo, a inquietação soltou-se entre salas de aulas e corredores da faculdade de Arquitectura [2]. Unidos em prol do desenvolvimento e promoção da arquitectura e artes do seu país de origem, o grupo BANGA procura com projectos autorais reflectir sobre o estado da arquitectura em Angola, bem como pensar a concepção e desenho do quadro espacial da vida da população, sempre atentos aos sinais da vida quotidiana da sociedade[3].


Inspirados pela riqueza cultural angolana, o grupo busca uma ou várias identidades, principalmente, no plano da arquitectura contemporânea nacional. São objectivos deste grupo:

  • A busca insaciável pela aprendizagem dentro do mundo arquitectónico e da arte em geral;
  • O carácter investigativo, procurando sempre actualizar-se sobre temas e novas questões pertinentes, intervindo através da arquitectura e da arte, sempre em prol do desenvolvimento da comunidade;
  • Promover e desenvolver o pensamento arquitectónico e artístico;
  • Desenvolver uma consciência crítica, aliando a arte à educação.


A base da criação do grupo BANGA centra-se na inquietação em dar respostas à seguinte pergunta: "Como podemos melhorar a vida de quem está ao nosso redor com aquilo que fazemos?[4]".



O grupo tem demostrado grande actividade nas redes sociais e a partir de plataformas digitais, uma vez que a sua criação culmina com um período em que a população mundial foi surpreendida pela pandemia do COVID-19. Assim, o grupo procura diferentes meios que possibilitem levar às pessoas cultura e arte angolana. Na base de trabalho deste colectivo é claro o uso da técnica de colagem, fotomontagens, ilustrações, entre outros recursos gráficos.

Trabalhos Notáveis[editar]

Projecto Data Descrição
Luanda Leaks Janeiro 2020

Conjunto de colagens que refletiam o tema "Luanda Leaks"

Azulejos: Galo e Raposo Fevereiro 2020

Angola é uma mistura de vários povos e etnias. Em homenagem à cultura cokwé - especificamente aos desenhos que fazem parte do seu quotidiano, na passagem de estórias e ensinamentos de geração em geração - foram criadas diferentes coleções de azulejos, que ganham o nome das estórias e desenhos do qual são inspirados. Aqui, mais do que decoração, o grupo pretendia trazer estas peças de forma artística.

Cabana de Arte Maio 2020

Cabana de Arte é uma iniciativa do grupo Banga, que visa trazer ao palco não apenas projetos e produções próprias, mas principalmente, dar espaço, - mesmo que virtual, simulado ou utópico – aos artistas e arquitetos em Angola. A partir de instalações virtuais, levamos o público numa viagem que pretende ser o mais sensorial e interativa possível. Este é um projeto não lucrativo (apenas ganhos pessoais, profissionais e com a perspetiva de contribuir para o desenvolvimento da cultura angolana).“Uma rede consolidada entre artistas e arquitetos”. Para cada exposição será convidado um artista e um arquiteto em que trabalharam juntos com o objetivo de projetar um espaço arquitetónico com relação direta à obra exposta. Cada ambiente será único e refletirá a simbiose entre artista+arquiteto.[5] [6] [7]

O Soba tem algo a dizer (parte 1) Junho 2020

A primeira parte deste projeto é constituído por um conjunto de ilustrações que, de certa forma, preparam as próximas etapas desta pesquisa exaustiva que tem como personagem principal um soba Bailundu. "Até ao nada" (ilustração1) Este é um conjunto de 3 ilustrações (3 momentos). Aqui a figura do soba, como um soberano nacional, é usada para uma reflexão em vários sentidos. A ilustração centra-se na postura e imagem do soba (de pé, sentado, desaparecido) e ainda em algumas das “riquezas” nacionais (ouro, diamante, petróleo). Na verdade, esta ilustração pretende ser uma analogia para a relação entre o Continente Africano (visto como uma mina/cofre) e os vários países interessados na sua exploração. A figura do soba começa ereto orgulhoso dos seus “panos tradicionais” (no canto inferior direito vemos o ouro representado); logo, senta-se e é vestido com roupas novas e ocidentais (no canto inferior direito vemos o diamante representado); por fim não vemos o soba, não sabemos onde está ou se volta (no canto inferior direito vemos petróleo derramado no chão). "A ascensão do soba" (ilustração2) Aqui vemos uma sequência da mesma imagem do soba sentado, que aos poucos aparece até tornar-se uma marca negra, um símbolo, um carimbo. Assim desejamos que todos os símbolos da cultura angolana sejam respeitados e reconhecidos.

O Soba tem algo a dizer (parte 2) Junho 2020

A segunda parte desta obra é o resultado de um ensaio fotográfico e da produção de um vídeo. "O soba tem algo para falar" (vídeo) - este vídeo leva o título desta coleção sobre os sobas angolanos. Aqui, vemos algumas das ilustrações deste projeto, fotografadas como quadros, segurados por uma personagem misteriosa, em apenas vê-se o chapéu, as calças e as botas. Este mistério em torno deste personagem é uma contradição ao significado da palavra M’Balundu (nome original reino M’Balundu, hoje município do Bailundu). Pela história, M’Balundu significa ‘eu ainda que estiver coberto por um chapéu, de boas roupas, de sapato, tenho tudo tapado menos a testa, que é difícil ser escondida’. M’Balundu é uma coisa vista por todos. É assim que surge o nome de M’Balundu. Há relatos ainda que na época do reino M’Balundu, aquele povo tinha a tradição de ter marcado um sinal preto que partia da testa até ao nariz. Aquele sinal é que tinha o nome de M’Balundu (para todos verem). A nossa personagem do vídeo não é um verdadeiro bailundu, não é homem, não é mulher, nem se sabe sequer se possui cara. Foi coberto por um chapéu, de boas roupas, de sapato, e ainda assim, taparam-lhe o rosto. Esta anseia ser alguém, procura uma identidade, assume portanto, os vários quadros que carrega, caminha em direção a lugar nenhum, mas deseja pertencer a algum lugar. Ao mesmo tempo, ouvimos no video a voz do Soberano do Bailundo, Armindo Francisco Kalupeteka “Ekuikui V” (em 2016).

O Soba tem algo a dizer (parte 3) Julho 2020 Um conjunto de colagens em sequência do projecto O Soba tem algo a dizer (parte 2).
O Soba vai à comunidade Agosto 2020 Um conjunto de colagens que reflete o diálogo entre uma comunidade rural em Angola com uma "nova personagem" estranha que não é um verdadeiro bailundu, não é homem, não é mulher, nem se sabe sequer se possui cara (continuação do trabalho O Soba tem algo a dizer - parte 2 e 3).


Ficheiro:O Soba tem algo a dizer parte3.jpg
créditos grupo BANGA (cortesia do grupo BANGA)

Cabana de Arte[editar]

Até a data, o projecto Cabana de Arte já conta com oito edições.

Ficheiro:Cabana de Arte.jpg
Imagem retirada do vídeo de Apresentação do Projecto Cabana de Arte (créditos: grupo BANGA)
Edição Data Nome da Exposição Artista Convidado Arquitectura Resumo
1 08.05.2020 COKWE: A TERRA COMO TELA BANGA Yolana Lemos

Esta exposição traz ao palco uma pequena parte da cultura Cokwe, em Angola: os seus desenhos. Os desenhos para o povo cokwe representam uma maneira de se relacionar entre gerações, passando ensinamentos, através de estórias. Esta exposição é o resultado de uma investigação do grupo BANGA sobre este povo.

2 29.05.2020 TCHITUNDU-HULU: A HISTÓRIA RESGATADA Fran Santos Mamona Duca, Elsimar de Freitas

O objetivo desta exposição é o resgate da história de Tchitundu-Hulu, na área de Capolopopo, no Namibe – local onde se situa esta exposição. O Tchitundo-Hulu é um morro granítico, bastante conhecido pelas suas pinturas rupestres de mais de quatro mil anos, no entanto ao longo do tempo, reparou-se que a história deste lugar tem sido esquecida. Assim, vemos aqui a intenção de fazer com que essas memórias revivam e que possa incluir os habitantes actuais do próprio território, os mucuisses. A proposta reside na ideia de trazer o turismo comunitário para a zona, fazendo com que o local ganhe maior vivacidade com este novo elemento, a cabana de arte, almejando a inclusão social.

3 19.06.2020 O CORPO EXPANDIDO: A PERFORMANCE COMO ELEMENTO DE TRANSCENDÊNCIA Yola Balanga Kátia Mendes, Gilson Mendes

Esta exposição, composta por vários espaços articulados sobre um percurso “narrado”, pretende contar a história de Yola Balanga enquanto artista, a sua arte e o seu modo de ver o mundo. O projeto é composto por vários espaços que com características espaciais diferentes, albergam obras diversas. A imagem que temos de uma cabana é a que vemos no início da exposição: uma “cubata” simples. Quando o percurso se desenrola - ao mesmo tempo que conhecemos o trabalho da artista - vemos um “chamariz” para algo maior e mais complexo: o apoderamento do subsolo. Este “cavar” pode ser entendido como uma metáfora: o visitar e o refletir sobre a nossa criação cultural. A verdade não se deixa transparecer tão facilmente; é esta a narrativa do trabalho da artista, e os assuntos pertinentes associados às suas obras. Yola Balanga faz o uso do corpo (o que vemos), para contar-nos uma história (o que não vemos).

4 17.07.2020 EQUILÍBRIO Mauro Sérgio José Faria

Esta exposição traz ao palco o trabalho fotográfico de Mauro Sérgio. A busca pelo equilíbrio é trazida aqui, na luz, sombra, entre outros elementos presentes na captação de uma fotografia ou na manipulação de um espaço arquitetónico. Segundo o fotógrafo:"É cada vez mais comum ouvirmos dizer: Se não és do bem, és do mal. Se não estás connosco, estás contra nós.Acreditamos ser possível cremar a semente do mal fazendo com que todos sejam do bem. O senso de equilíbrio passou de ser e não ser para ser ou não ser, de preto e branco para ou preto ou branco. Uma visão que parece seguir os princípios monoteístas do profeta Malaquias onde Deus pune e julga quem não escolhe o seu lado. É claro que nos debates da vida tudo faz sentido, nas filosofias da alma encontramos sempre um caminho, mas, como seria se expressássemos este conceito em fotografia e o que acontece quando encontramos o equilíbrio ou vivemos pelos princípios de Yin & Yang?"

5 07.08.2020 MFWANANA: DIALETOS DA TERRA Márcia Lima Cláudia Cândido, Tânia Rosa

A língua define-se como um dos pilares mais importantes na identidade e cultura de um povo. Desde os tempos mais remotos, tem vindo a desempenhar um papel fundamental na comunicação entre os povos; “Mfwanana*: Dialetos da Terra” traduz-se exclusivamente no resgate das principais línguas nacionais angolanas. Com o aparecimento do colonialismo português e da guerra civil em Angola, os povos sentiram-se forçados a deixar as suas terras, o que resultou num buraco negro de desconhecimento e desvalorização dos seus dialetos. Atualmente, a língua Portuguesa como herança do colonialismo, é a língua predominante em todo o território nacional. Como consequência dos acontecimentos passados, a ignorância, a xenofobia e o analfabetismo, tem tomado atualmente conta da sociedade angolana.

6 18.09.2020 (EKUMBI) EU SOU O SOL: AS MARCAS PERPETUADAS EM MIM Jessé Manuel Márcio Moreira, Sebastião Mendes Manuel

Ao pesquisar e conhecendo o artista pelas suas obras, vamos nos surpreender pelo seu grande talento em trabalhar com fotografia como só ele faz. Em suas fotografias podemos notar elementos muitos fortes e semelhantes como o enquadramento, a intensidade da luz, os contornos e silhuetas, momentos, as cores que mesmo com filtro a qualidade se mantem presente, terra, relações socias, pessoas, natureza e o elemento mais importante, o Sol. Aqui, os arquitectos tomaram como ponto de partida o elemento sol, como parte de uma ideia a ser construida que envolvesse tanto o artista como o lugar escolhido para a localização do projecto (Tchitundo-Hulu), lugar este onde encontramos gravuras (sol) marcadas sobre as pedras que lá existem. EKUMBI - Significa Sol na língua angolana Umbundu.

7 16.10.2020 IDENTIDADE ARTÍSTICA: A PARTE INEXPLICÁVEL DO ARTISTA Eduardo Messo Céu Amorim, Sílvio Primeira

"Não existe uma perfeita ou comparativa, tudo é arte ao meu ver. Tento transmitir em minhas obras a emoção e o sentimento dependo do estado e espírito, não dou sempre nomes às minhas telas porque não tenho de explicar sempre. Deixo esta sempre para os apreciadores de arte e os futuros proprietários. A arte é incógnita, o que eu poderei sentir sobre uma tela não é mesma coisa que uma outra pessoa poderá ressentir, é sempre um diálogo profundo entre a tela e o ser." - Eduardo Messo

8 20.11.2020 {RE}CONGOLÂDIA Thó Simões DEL MEDIO (Michel Maldiny Z.G e Mafalda Peres Couto)

A 8ª Edição do projecto entitulado Cabana de Arte , do grupo BANGA trás como convidados o artista Angolano Thó Simões e o atelier DEL MEDIO representado por Michel Maldiny Z.G e Mafalda Peres Couto. Através do conceito que denomina esta mostra, {RE}CONGOLÂNDIA pretende {re}ciclar e {re}enquadrar a obra Congolândia de Thó Simões, por meio de um diálogo que propõe {re}centrar a obra na sua dimensão enquanto expressão, revelação e critica dentro da criação de um projecto arquitectónico-expositivo com a finalidade levar o visitante numa viagem onde livre de preconceitos e com confiança no desconhecido aprenderá a questionar a sua própria individualidade, compreendendo assim a mensagem vibrante que os habitantes deste reino antigo da Congolândia nos trazem.


Referências

  1. Team Carga, {RE}CONGOLÂNDIA: Thó Simões {re}cicla e {re}enquadra a obra Congolândia para o projecto Cabana de Arte, Carga Magazine, 20 de Novembro de 2020
  2. Paula Cardoso, "A banga que arquitecta o resgate da identidade africana em Angola", Afrolink, 26 de Agosto de 2020
  3. Romullo Baratto, Em busca de uma identidade para a arquitetura angolana: entrevista com o grupo BANGA, archdaily, 04 de Outubro de 2020
  4. Grupo BANGA, Sobre, Cabana de Arte, 2020
  5. Romullo Baratto, Terra, palha e pixels: um novo modo de apresentar a arquitetura e a arte angolanas, archdaily, 30 de Maio de 2020
  6. Koffie Luso, Cabana De Arte Apresenta 7ª Exposição Com Eduardo Messo, Sílvio Primeira E Céu Amorim, Koffie Luso, 22 de Outubro de 2020
  7. Grupo BANGA, Sobre, Cabana de Arte, 2020


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