Luiz Otávio Barata

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Luiz Otávio Barata (Belém, 25 de abril de 1940São Paulo, 24 de julho de 2006) foi um teatrólogo brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Atuante entre as décadas de 1970 e 1980, em Belém. Fortemente influenciado pelas obras de Jean Genet, Santo Agostinho, Friedrich Nietzsche e Flávio de Carvalho, Barata fundou o grupo de teatro Cena Aberta com o qual enceu a trilogia composta por “Genet – o palhaço de Deus” (1988), “Posição pela carne” (1989) e “Em nome do amor” (1990), dentre outros espetáculos. Seu trabalho foi marcado pela utilização de não-atores em cena e pela contestação de padrões sociais. Leia matéria publicada no jornal O LIBERAL, no dia 27 de julho de 2006, no Caderno Magazine, sobre a morte de Luiz Otávio Barata:

Luiz Otávio sai de cena[editar | editar código-fonte]

Um dos mais importantes diretores teatrais do Pará, Luiz Otávio Barata morreu na segunda-feira em São Paulo

Cláudia Melo Da Redação

A morte anteontem, em São Paulo, do teatrólogo, poeta, artista plástico e jornalista Luiz Otávio Barata de alguma forma o trouxe de volta a Belém. Foi impossível não ver a vida passar como em um filme. Voltar à época das montagens da praça da República, nos anos 70, ou das polêmicas que surgiam a cada nova produção dele. Foi impossível não pensar no homem doce e transgressor que foi Luiz. Não teve como não escutar outra vez a voz dele perguntando: 'Vocês sabem o que é a vida?', no apartamento do oitavo andar do edifício Manuel Pinto da Silva. Lembranças que ao mesmo tempo mostraram que Luiz Otávio Barata continuará vivo para o teatro paraense e na memória de tantos companheiros de arte. O infarto que vitimou Luiz foi rápido. Ele começou a passar mal, às 14 horas, em uma casa no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Estava sentado na sala conversando com outro hóspede da habitação de dona Ciloi. Uma casa grande com oito quartos. Não parecia nada grave. Mas as dores aumentaram. Luiz ligou para um casal de amigos que tinha marcado de sair à noite. Falou sobre o que estava sentido e imediatamente foi levado para o hospital. Lá, o quadro já era irreversível. Luiz Barata morreu no final da tarde de uma segunda-feira de julho.

Com ele, aos 63 anos de idade, também foi-se o plano de voltar a Belém em outubro próximo para dirigir um novo espetáculo, 'O Laquê', uma peça de teatro que está sendo produzida pelo grupo Cuíra sobre a vida das prostitutas de Belém. Teria como assistentes de direção, hoje diretores consagrados que também aprenderam muito com ele sobre o que é o teatro: Olinda Charone, Claudio Barros, Ana Karine Jansen, Wlad Lima. 'Mas não deu tempo', comenta Wlad, que também faz parte do grupo que pretende ter entre as atrizes mulheres que fazem programa na Riachuelo. A última vez que esteve com Luiz, em outubro do ano passado, Wlad conta que encontrou um homem tranquilo que dizia que São Paulo era sua casa, escrevia e desenhava com avidez. 'Como se estivesse em um exílio voluntário', revela Wlad.

Para homenagear Luiz Otávio Barata, o grupo Cuíra fará um ato cultural no início de agosto que também marcará a abertura do espaço da companhia, na travessa Riachuelo. O espetáculo 'Laquê' será dedicado à memória dele. AMOR OU ÓDIO A história de vida mostra quem foi Luiz Otávio Barata. Uma pessoa daquele tipo que você ama muito ou odeia muito. Era crítico, criativo, inteligente e de extremo bom-humor. Marcas da personalidade que também incomodavam. Com 'Genet - O Palhaço de Deus', humanizou Jesus Cristo, falou de amor e homossexualidade, e acabou tendo muitos embates com a igreja Católica, que 'censurou' literalmente a montagem.

Também teve vários embates com gestores culturais quando se tratava de política de incentivos. Dizem que esse, na verdade, seria um dos motivos para ter se desgostado com a 'terrinha'. Luiz Otávio Barata foi em embora de Belém no dia 31 de dezembro de 1998. Disse que queria passar pelo menos uns dez anos longe.

Ficou oito anos longe do Pará. Na última vez que esteve aqui, participou da exposição 'Círio: Visões Versões II', que retratava sua visão do círio, com a série 'Fé, um caminho que anda'. O corpo de Luiz deve ser cremado hoje em São Paulo.

Paixão de toda a vida pelo palco Aos amantes da arte, além do acervo que a família mandará buscar em São Paulo para doar à Universidade Federal do Pará (UFPA), Luiz deixou a sua participação na criação da Escola de Teatro da UFPA, na década de 60. E a democratização do teatro com a criação em 1976, do grupo 'Cena aberta'.

O Cena Aberta levou inúmeros clássicos para a Praça da República. As peças de Luiz, junto com Zélia Amador de Deus e Margareth Refkalefsky, atraíam centenas de pessoas de todas classes sociais. 'Com Luiz, o anfiteatro da praça foi descoberto. Ele deu dignidade para aquele espaço', conta o amigo Walter Bandeira.

Irmão mais novo de Luiz Otávio, o jornalista Augusto Barata diz que 'Ele descortinou uma série de horizontes para mim', relata, detalhando que Luiz estudou cenografia em São Paulo e especializou-se na Bélgica. Quando voltou, junto com Maria Sylvia Nunes, criou a criação da Escola de Teatro da UFPA.

Em 1978, em pleno Regime Militar, na administração de Ajax de Castro de Oliveira, foi responsável por uma experiência inédita no Pará. 'Por conta dele, o então secretário de Cultura, Mário Guzzo, criou uma política de incentivo cultural, que por edital contemplava teatro, música, dança e literatura. Os trabalhos eram selecionados por uma banca composta por pessoas como Benedito Nunes e Haroldo Maranhão', lembra.

Na véspera de Otávio partir de Belém, Augusto conta inda que teve uma conversa com o irmão. 'Ele me disse que ia embora porque o clima era muito hostil para ele. Estava muito exaurido. O Luiz tinha coragem de ir até aonde os outros não iam'.

O ator Marton Maués lembra a paixão pelo teatro era tão grande que fazia de Luiz um abnegado. 'Ele escrevia, dirigia, confeccionava as fantasias', comenta. 'Outro perfil inesquecível era sua dedicação às lutas em favor da categoria, praticamente sozinho'. Professora da Escola de Teatro, Olinda Charone diz que Luiz era 'seu melhor amigo'. 'Com ele aprendi muito. Foi um mestre, uma pessoa revolucionária'. (C. M.)

Polêmico e contestador

Algumas obras de Otávio Barata

Theastai Theatron- 1983 Roteiro - Luiz Otávio Barata Aquém do Eu, Além do Outro - 1984. Direção - Luiz Otávio Barata Um Baile em Hiroshima, logo Após a Bomba - 1986. Texto - Coletivo com redação final de Luiz Otávio Barata / Direção - Luiz Otávio Barata Trilogia 'Genet - O Palhaço de Deus' (1988), 'Posição Pela Carne', e 'Em Nome do Amor' (1999), Paixão Barata e Madalenas - 2000; Roteiro - Luiz Otávio Barata


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