Neotectônica na Bacia do Amazonas

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Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A Bacia do Amazonas situa-se na região norte do Brasil, abrangendo os estados do Amazonas e Pará. A bacia é delimitada a oeste pelo Arco de Purus e a leste pelo Arco de Gurupá. Na porção centro-leste existe o Arco do Baixo Tapajós, o qual exerce grande influencia no controle estrutural e geomorfológico da bacia. Para leste do Arco de Gurupá situa-se a Bacia de Marajó, a qual compreende toda a Ilha de Marajó e o arquipélago lá presente.


Contexto geológico ao longo do tempo[editar | editar código-fonte]

O Rio Amazonas possui um comprimento em torno de 7000 km. Ao longo do tempo, ele sofreu mudanças que estão relacionadas a fatores como o soerguimento dos Andes [1] , geração de inúmeras falhas e transcorrências na placa Sul-americana e outros fatores relacionados à geração de montanhas no norte da América do Sul. Esses fatores fizeram com que o Rio Amazonas mudasse seu curso que ia para norte e desembocava no Mar do Caribe, para a configuração atual, para leste, desembocando no Oceano Atlântico. [2]

As principais estruturas e feições geomorfológicas ao longo do Rio Amazonas estão intimamente associadas a eventos que ocorreram no Mesozoico e Cenozoico [3]. Para entender como se deu essa evolução do Rio Amazonas, devemos conhecer a geologia do local por onde ele passa. Para o entendimento da evolução, duas bacias sedimentares são de suma importância: a Bacia do Amazonas e a Bacia de Marajó, as quais possuem geometria e cinemática extencional distintas [4]. Trabalhos na região

Situação bibliográfica[editar | editar código-fonte]

Para a Bacia do Amazonas, dois trabalhos são de grande importância: as interpretações sísmicas de Campos e Teixeira de 1988 [5], no qual indicam 4 principais fases da evolução tectônica da bacia durante o Mesozoico e Cenozoico. E o trabalho de Wanderley Filho e Costa de 1991[6], no qual também dividem em 4 episódios tectônicos, mas com algumas diferenças que serão citadas na próxima sessão. Já para a Bacia de Marajó, o trabalho de Villegas de 1992[7] separa a evolução da bacia em 4 fases.

O trabalho pioneiro para a neotectônica da área do Rio Amazonas foi o de Costa de 1994 e 1995, através de trabalho anteriores de interpretação sísmica de Travassos e Barbosa Filho [8] de 1990 e investigações de campo de Bemerguy e Costa de 1991 [9] e Costa de 1993[10].

A área conta ainda com trabalhos de Paleodrenagem da América do Sul no Mesozoico e Cenozoico discutido por Potter de 1997 [11] e de paleogeografia, como o de Bemerguy e Costa de 1991.


Tectonismo no mesozoico[editar | editar código-fonte]

A evolução tectônica na Bacia do Amazonas é subdividida em quatro fases distintas [12], são elas:


- Extensão durante o fim do período Triássico e início do período Jurássico;

- Propagação de falhas falhas geológicas transcorrentes no fim do Jurássico;

- Início de um estágio extensional do Cretáceo até o fim do Terciário;

- Restabelecimento de um regime transcorrente durante o Mioceno;


O primeiro estágio não possui registros de estruturas geológicas, tais como falhas normais. Sabe-se da existência desse estágio pela grande presença de enxames de diques alinhados segundo uma orientação preferencial NNE-SSW. No terceiro estágio (extensão durante o Cretáceo) o registro mais expressivo é a Formação Alter do Chão, um arenito de deposição fluvial [13] .


A Bacia de Marajó, uma continuação da Bacia do Amazonas, também é dividida em quatro fases. Apesar dela responder aos mesmos mecanismos que foram impostos à Bacia do Amazonas, a Bacia do Marajó é completamente distinta geométrica e cinematicamente [14] . São elas:


- Instalação de um regime extensional com falhas normais de orientação NE-SW em conjunto com falhas transcorrentes de orientação ENE-WSW;

- Desenvolvimento da extensão crustal na região, formação de uma segunda geração de falhas normais e o desenvolvimento das falhas normais com aumento do deslocamento relativo entre os blocos falhados;

- Desenvolvimento de sistemas de falhas antitéticas [15];

- Aumento do deslocamento entre os blocos por falhas transcorrentes com orientação NE-SW;

A neotectônica na Bacia do Amazonas e Marajó[editar | editar código-fonte]

A morfotectônica e a sedimentação que diz respeito à neotectônica nas duas bacias datam do Mioceno. [16]

Processos morfotectônicos e sedimentares relacionados a regimes transcorrentes correspondem a neotectônica na placa Sul Americana desde o Mioceno.Nessa área são reconhecidos dois pulsos transcorrentes os quais são responsáveis por deslocamentos ao longo de conjuntos de falhas, geração de depósitos sedimentares e formação de paisagem. [17]

Esses pulsos são separados em dois grupos: o mais antigo que ocorreu durante o Mioceno – Plioceno e o mais jovem entre o Pleistoceno – Holoceno superior. [18]


As estruturas mais antigas são reconhecidas por possuírem falhas normais mergulhando para nordeste (direção NW-SE), controlado por depósitos de água marinha rasa (Formação Pirabas) e depósitos transicionais (Grupo Barreiras) no Terciário Superior. Já as estruturas mais jovens, correspondem a falhas transcorrentes, dextrais, leste – oeste ligadas às falhas normais NW-SE, formando uma bacia de pull-apart de dimensões variadas. [19]

A partir dessas estruturas, a área foi dividida em seis domínios:

- Os domínios 1 (nordeste de Manaus) e 3 (sudeste de Manaus) são caracterizados pela ocorrência de dobras e falhas inversas evidenciadas no relevo por colinas (NE-SW), as quais ocorrem em função do regime transpressivo.

- Os domínios 2 (nordeste de Urucará), 4 (oeste de Gurupá) e 5 (noroeste de Gurupá) são formados por grandes estruturas de transcorrência, as quais compõem bacias de pull-apart caracterizadas por extensas áreas planas e diversas ilhas.

- O domínio 6 (oeste de Belém) sofreu subsidência durante o Mesozoico – Cenozoico. [20]


RELAÇÃO ENTRE OS DOMÍNIOS

1. Bloqueio de cursos baixos de rios que evoluíram para lagos devido a associação de blocos inclinados com deslocamentos ao longo das falhas normais e transcorrente.

2. Grandes áreas de paleocanais e meandros abandonados em planícies inundadas em função da migração das drenagens relacionada aos blocos inclinados

3. Lineamentos de drenagem alcançando centenas de km.

4. Remanescentes dos blocos soerguidos a 300m de altura entre as planícies.

5. Grandes áreas de sequência sedimentar PleistocênicaHolocênica.


Paleogeografia[editar | editar código-fonte]

A paleogeografia foi moldada através de movimentos tectônicos que ocorrem no Mesozoico e Cenozoico. Entre as cidades de Manaus e Gurupá, houve um soerguimento da região seguida de magmatismo máfico (diques Penatecaua e Cassiporé) e falhamento normal, o qual forma o limite entre dois depocentros que foram preenchidos por sequências de sedimentos fluviais.

Após isso (no final do Cretáceo-início do Cenozoico), a extensão na região tornou-se menos intensa, depositando sequencias fluviais também na região do baixo Tapajós. Isso evidencia que a drenagem que antes corria para oeste passou a correr para leste, provavelmente no início do Cenozoico.


Trabalhos realizados

Grabert em 1971[21] e Bemerguy e Costa em 1991 sugeriram um soerguimento dos Andes como o causador dessa mudança de direção da drenagem; já Hoorn em 1994[22] e em 1995[23] e Gamero em 1996[24] também apontaram o soerguimento de várias montanhas no norte da América do Sul como a principal causa dessa mudança no padrão. [25]


Controle estrutural

Em Marajó, os depocentros formados no Cretáceo estão intimamente ligados às zonas de cisalhamento pré-cambrianas. O Arco de Gurupá age como separadores desses depocentros e foi segmentado por falhas transcorrentes no início do Cretáceo. Após isso, se desenvolveu a drenagem que corre para o centro da bacia devido a uma fase de erosão. [26]

No início do Cenozoico, a paisagem foi intensamente modificada, com todas as drenagens fluindo para o leste e o principal canal (paleo-Rio Amazonas) se conectando com o Oceano Atlântico através de falhas strike-slip (Lineamento de Arari). [27]

Em torno do Mioceno/Plioceno, a região costeira esteve sob extensão, enquanto que a região da bacia do amazonas estava sob domínio de transpressão (com o Arco de Gurupá atuando como fonte de sedimentos para as áreas), ocorrendo assim uma partição da deformação na área. Colinas alinhadas, falhas reversas e dobras, junto com a formação de bacias de pull-apart ao longo de falhas transcorrentes (ex. Lineamento de Tupinambarana) que foram formadas a partir da erosão de blocos soerguidos foram gerados nessas áreas sob regime transpressional. [28]

Uma série de anomalias foram geradas nos padrões de drenagem como rios-lagoas associados à bloqueio de grandes rios; segmentos retos de mais de 300 km de comprimento; e meandros abandonados devido a migração de canais associados a blocos inclinados. A subsidência de blocos na região costeira levou a transgressão do mar na Ilha de Marajó e áreas adjacentes, sedimentando sequencias marinhas como a Formação Pirabas, seguida de sequencias fluviais como Grupo Barreiras. Muito da deformação ocorrida na região costeira foi acomodada por movimentos do tipo strike-slip, com o Rio Amazonas preenchendo esses espaços.


Resumo[editar | editar código-fonte]

Os seguimentos de cursos retos como dos rios Negro, Urubu, Preto da Eva e Uatamã correm segundo a direção NW das falhas normais; Colinas na região N-NE de Manaus e Itacoatiara e SE de Santarém estão relacionados ao regime transpressivo no Mioceno-Plioceno; o aspecto retangular da Ilha de Tupinambarana está associado ao regime transtrativo, relacionado a falhas transcorrentes do Cenozoico; o encontro dos rios Xingu e Tapajós com o rio Amazonas estão ligados ao desenvolvimento das falhas transcorrentes ENE-WSW; o curso linear do Rio Tapajós é fortemente controlado pelas falhas normais; grandes planícies de inundação, lagos, sequencias do Holoceno e meandros abandonados entre Juruti e Santarém estão associados as falhas normais NW-SE; ilhas e formas retangulares são explicadas pela interação com falhas transcorrentes como o Lineamento de Arari, e, por fim, os limites leste e sul da Ilha de Marajó são delimitados por falhas de strike-slip.


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  1. Victor Sacek, Drainage reversal of the Amazon River due to the coupling of surface and lithospheric processes, Earth and Planetary Science Letters, Volume 401, 2014, Pages 301-312.
  2. Victor Sacek, Drainage reversal of the Amazon River due to the coupling of surface and lithospheric processes, Earth and Planetary Science Letters, Volume 401, 2014, Pages 301-312.
  3. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  4. Costa, J.B.S. (1991). «O quadro tectônico regional do Mesozoico na região norte do Brasil». III SBG Simpósio de Geologia da Amazônia (Belém), Anais, pp. 166
  5. Campos e Teixera, J.N.P e L.B (1988). «Estilo tectônico da bacia do baixo Amazonas». XXXV Congresso Brasileiro de Geologia (Belém), anais, 2161-2172
  6. Wanderley FIlho e Costa, J.R. e J.B.S. (1991). «Contribuição à evolução estrutural da bacia do Amazonas e sua relação com o embasamento.». III SBG SImpósio de Geologia da Amazônia (Belém), anais, pp. 224-259.
  7. Villegas, J.M. (1992). «Evolução tectono-estrutural do rifte de Marajó». II Simpósio de Bacias Cretácicas Brasileiras (Rio Claro), resumo, pp. 46-48.
  8. Travassos e Barbosa Filho, W.A.S. e C.M. (1990). «Tectonismo terciário na área do Rio Tapajós, Bacia do Rio Amazonas.». Petrobras, Boletim de Geociencias 4(3),221-240
  9. Bemerguy e Costa, R.L. e J.B.S. (1991). «Considerações sobre a evolução do sistema de drenagem da Amazônia e sua relação com o arcabouço tectônico estrutural». Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Ciencias da Terra 3,75-97
  10. Costa, J.B.S. (1993). «Aspectos fundamentais da neotectônica na Amazônica Brasileira». Simpósio Internacional do Quaternário (Manaus 1992) Resumos e contribuições científicas, pp. 103-106
  11. Potter, P.E. (1997). «The Mesozoic and Cenozoic paleodrainage of South America: a natural history.». J. South Am. Earth Sci. 10(5-6), 331-344.
  12. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  13. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  14. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  15. Falhas Antitéticas - Glossário de Campo da Schlumberger: http://www.glossary.oilfield.slb.com/Terms/a/antithetic_fault.aspx
  16. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  17. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  18. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  19. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  20. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  21. Grabert, H. (1971). «Die prae-andine drainage des Amazonas stromsystems.». Muenstersche Forschungen zur Geologie und Paleontologie 20(21), 51-60
  22. Hoorn, C. (1994). «An environmental reconstruction of the paleo-Amazon River system (Middle-Late Miocene NW Amazonia).». Paleogeogr., Paleoclimatol., Palaeoecol. 112, 187-238
  23. Hoorn, C. (1995). «Andean tectonics as a cause for changing drainage patterns in Miocene northern South America». Geology 23 (3), 237-240
  24. Gamero, M.L.D (1996). «The changing course of the Orinoco River during the Neogene: A review.». Palaeogeogr., Palaeoclimatol., Palaeoecol. 123, 385-402
  25. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  26. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  27. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347
  28. Costa, J.B.S (2001). «Tectonics and paleogeography along the Amazon river». Journal of South American Earth Sciences 14(2001) 335-347