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Protestos contra Jair Bolsonaro

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Protestos contra Jair Bolsonaro
EleNão Vitória 1.png
Manifestantes em Vitória e a hashtag usada na mobilização
Período 29 de setembro de 2018
Local Brasil — 114 cidades de 26 estados e Distrito Federal; mais de 50 países.
Causas  • Campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
Objetivos  • Rejeição à candidatura de Jair Bolsonaro à presidência e suas posições públicas.[1][2]

Os protestos contra Jair Bolsonaro, chamado Movimento #EleNão, foram manifestações populares lideradas por mulheres que ocorreram em diversas regiões do Brasil e do mundo, tendo como principal objetivo protestar contra a candidatura à presidência do deputado federal Jair Bolsonaro. As manifestações ocorreram no dia 29 de setembro de 2018,[3][4] e se tornaram o maior protesto já realizado por mulheres no Brasil e a maior concentração popular durante a campanha da eleição presidencial no Brasil em 2018.[5][6]

As manifestações começaram a ser organizadas nas redes sociais, principalmente no grupo "Mulheres contra Bolsonaro" no Facebook.[7][8] Os protestos foram motivados pelas declarações misóginas do candidato e também por suas ameaças à democracia. Movimentos sociais, grupos feministas e partidos também apoiaram e participaram das manifestações.[7][9][10]

Foram realizados atos contrários ao parlamentar em mais de 160 cidades de todos os estados do país.[11][12][13] Capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Salvador, foram alvos dos atos ocorridos. Capitais de outros países também registraram manifestações, a exemplo de Nova Iorque, Barcelona, Berlim, Lisboa[14] e Paris.[15][16][17]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Bolsonaro discute com Maria do Rosário no plenário da Câmara durante debate sobre a violência contra a mulher.

O deputado federal Jair Bolsonaro é candidato na eleição presidencial em 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL), com o primeiro turno das eleições presidenciais a acontecer no dia 7 de outubro. Durante sua vida política, Bolsonaro tem sido acusado de homofobia,[18][19][20] desrespeito a negros[21] e misoginia e sexismo contra mulheres.[22][23][24]

Ainda em recuperação após um atentado, Bolsonaro declarou em entrevista na Band que, "Não aceito resultado diferente da minha eleição", afirmando que um resultado diferente do que sua vitória na eleição presidencial seria uma fraude.[25] Bolsonaro já havia questionado a segurança das urnas eletrônicas anteriormente, afirmando que os resultados das urnas eletrônicas poderiam ser adulterados. Sua posição sobre a segurança das urnas eletrônicas foi rebatida pelo ministro do Supremo Tribunal Dias Toffoli.[26]

O grupo "Mulheres Contra Bolsonaro" foi criado na rede social Facebook em oposição ao candidato Jair Bolsonaro, tendo atingido 1 milhão de participantes no dia 12 de setembro.[27] No dia 16 de setembro, já com mais de 2 milhões de participantes no grupo, o perfil de algumas administradoras do grupo fora invadido. Os invasores modificaram o nome do grupo para "Mulheres Com Bolsonaro #17" e expulsaram administradoras do grupo. Um dia após o incidente, o grupo foi restaurado com o seu nome original.[28][29] Após o restauro, o grupo já contabilizava 2,5 milhões de participantes.[30]

#EleNão[editar | editar código-fonte]

Antes dos protestos, a hashtag #EleNão já vinha sendo usada nas redes sociais, inclusive por celebridades nacionais e internacionais. No fim de semana do dia 16, as citações às hashtags da campanha tiveram seu maior pico no Twitter, logo após o ataque ao grupo "Mulheres Contra Bolsonaro".[31]

Protestos de 29 de setembro[editar | editar código-fonte]

Manifestante em Porto Alegre.

Em 29 de setembro, manifestantes convocados majoritariamente pelas redes sociais foram as ruas em todos os 26 estados, incluindo no Distrito Federal, sob o banner "Ele Não". As manifestações tiveram o comparecimento de, além de ativistas e políticos, de artistas e intelectuais. As manifestações foram organizadas por mulheres, e o publico das manifestações também foi majoritariamente feminino.

As causas da manifestação estavam nas acusações de machismo, racismo, homofobia, autoritarismo e demais controvérsias envolvendo Jair Bolsonaro. Nos dias anteriores a manifestação, pesquisas de intenção de voto do Ibope e do Datafolha já demonstravam um alto percentual de rejeição por parte do eleitorado brasileiro. Metade do eleitorado feminino já rejeitava o candidato.[32]

Em São Paulo a concentração ocorreu no Largo da Batata. Organizadores afirmaram a presença de 500 mil manifestantes. A Policia Militar não divulgou a estimativa; No Rio de Janeiro, a concentração ocorreu na Cinelândia, e manifestantes marcharam até a Praça XV, para o encerramento da manifestação. Em momento de pico, manifestantes afirmaram a presença de 150 mil manifestantes; Em Belo Horizonte, Minas Gerais, o ato começou na praça sete, e reuniu por volta de 100 mil manifestantes, segundo estimativa dos organizadores.[33]

No Nordeste as maiores concentrações ocorreram na cidade de Salvador, Recife, Fortaleza. Em Salvador, no estado da Bahia, a manifestação teve o comparecimento e performance de artistas como Daniela Mercury e Maria Gadú. Em Recife também ocorreu uma das principais manifestações do país, onde organizadores estimaram a presença de 150 mil manifestantes; No Ceará, as cidades de Fortaleza e Sobral também presenciaram concentração de manifestantes. Manifestantes em Fortaleza estimaram a presença de 50 mil, enquanto a PM estimou a presença de 12 mil.[12]

No Sul, houve manifestações nas capitais dos principais estados; em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, manifestantes estimaram a presença de 25 mil no parque da redenção. As principais ruas da cidade foram fechadas. Em Florianópolis, Santa Catarina, a Policia Militar estimaram a presença de mais de 15 mil manifestantes. Em Curitiba, Paraná, manifestantes estimaram a presença de mais de 50 mil manifestantes; a PM, 5 mil.[12]

Nas regiões Norte e Centro-Oeste aconteceram também manifestações em todas as capitais de todos os estados. Em Brasília, organizadores estimaram o comparecimento de 30 mil manifestantes, enquanto a policia militar estimou a presença de 7 mil. Em Manaus, houve a estimativa por parte dos organizadores do comparecimento de 3 mil manifestantes.[34] O número de manifestantes no total não foi divulgado.[12][5]

Manifestantes também se concentraram em cidades no exterior. Em Berlim, organizadores estimaram o comparecimento de 150 manifestantes. Atos também ocorreram em Lisboa, Londres, Paris, Cidade do Cabo, Nova York, Dublin, entre outras.[15]

Céli Regina Jardim Pinto, em entrevista à BBC Brasil, afirmou que esta foi a maior manifestação por mulheres da história do país, e poderia representar uma "popularização" do feminismo e do anticonservadorismo, movimentos até então vistos como estranhos pela população, e restringidas aos acadêmicos.[35]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Manifestações de sábado, 29 de setembro, contra e a favor de Bolsonaro; FOTOS». G1. Consultado em 3 de outubro de 2018 
  2. «Famosos se reúnem em protestos contra Jair Bolsonaro pelo mundo - Entretenimento - BOL Notícias». BOL Notícias. Consultado em 3 de outubro de 2018 
  3. «Mulheres lideram multidão contra Bolsonaro em São Paulo, Rio e Recife». El País. 30 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  4. Mariana Fonseca (30 de setembro de 2018). «15 imagens que resumem os atos a favor e contra Jair Bolsonaro pelo Brasil». Exame. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  5. 5,0 5,1 Toledo, José Roberto de (29 de setembro de 2018). «Um protesto histórico, menos na tevê». Revista Piauí 
  6. Coletta, Carla Jiménez, Heloísa Mendonça, Regiane Oliveira, Marina Rossi, Ricardo Della (30 de setembro de 2018). «Mulheres quebram o jejum das ruas no Brasil com manifestações contra Bolsonaro». EL PAÍS 
  7. 7,0 7,1 «Atos de mulheres contra Bolsonaro reúnem milhares em mais de 30 cidades». Folha de S. Paulo. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  8. Belloni, Luiza; Martinelli, Andréa; Fernandes, Marcella; Antunes, Leda (29 de setembro de 2018). «Mulheres vão às ruas contra Bolsonaro: 'A eleição dele nos coloca em risco'». HuffPost Brasil. Consultado em 30 de setembro de 2018. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2018 
  9. Martinelli, Andréa; Antunes, Leda (29 de setembro de 2018). «'Ele não, ele de jeito nenhum': As mulheres que vão para as ruas contra Jair Bolsonaro». HuffPost Brasil. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  10. Ramil, Tatiana (29 de setembro de 2018). «Protesto contra Bolsonaro convocado por mulheres reúne milhares em diversas cidades». UOL Economia. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  11. «Protesto contra Bolsonaro: vídeo mostra atos no Brasil e no mundo». UOL. 29 de setembro de 2018 
  12. 12,0 12,1 12,2 12,3 «Protestos contra Bolsonaro ocorrem em 26 e DF; atos a favor, em 16». G1. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  13. Phillips, Dom (30 de setembro de 2018). «Huge protests in Brazil as far-right presidential hopeful returns home». the Guardian (em English). Consultado em 30 de setembro de 2018 
  14. «Protesto contra Bolsonaro lota praça histórica em Lisboa; imagens». Mundo ao Minuto. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  15. 15,0 15,1 «Manifestantes vão às ruas em 26 estados e no DF contra o candidato Jair Bolsonaro». G1. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  16. «Tens of thousands say 'Not him' to leading Brazil candidate» (em English). The Associated Press. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  17. «Brazilian women lead nationwide protests against far-right candidate» (em English). Reuters. 30 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  18. «Ellen Page confronta Jair Bolsonaro em cena de documentário». O Globo. 11 de março de 2016. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  19. «Bolsonaro é condenado a pagar R$ 150 mil por declarações homofóbicas». G1. 30 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2018 
  20. «Jair Bolsonaro ataca gays em entrevista para documentário inglês: 'Nós, brasileiros, não gostamos dos homossexuais'». Jornal Meia Hora. 22 de outubro de 2013. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  21. «MPF processa Bolsonaro por ofensas à população negra em evento no Rio». G1. 10 de abril de 2017. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  22. Meio, Débora (18 de agosto de 2018). «Bolsonaro afirmou, sim, que não empregaria mulher com mesmo salário de homem». HuffPost Brasil. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  23. «Bolsonaro e Marina têm confronto sobre direitos da mulher e elevam tensão em debate». Folha de S. Paulo. 18 de agosto de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  24. Resende, Leandro (23 de Abril de 2018). «No Datena, Bolsonaro volta a falar sobre salário de mulheres e homens». Agência Lupa 
  25. «Bolsonaro diz: 'Não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição'». G1. 28 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  26. «Após Bolsonaro questionar urnas eletrônicas, Toffoli diz que elas são 'confiáveis'». Estadão. 17 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  27. Becker, Fernanda (30 de setembro de 2018). «#EleNão: Após tomar as redes, movimento liderado por mulheres contra Bolsonaro testa força nas ruas». El País. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  28. «Após invasão, grupo 'Mulheres Contra Bolsonaro' volta ao ar». VEJA. 17 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  29. «Grupo "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" é retomado após ataque». BOL Online. 20 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  30. Potter, Hyury (17 de setembro de 2018). «Mulheres, uma frente contra Bolsonaro». Deutsche Welle Brazil. Consultado em 30 de setembro de 2018 
  31. Becker, Fernanda (30 de setembro de 2018). «#EleNão: Após tomar as redes, movimento liderado por mulheres contra Bolsonaro testa força nas ruas». EL PAÍS 
  32. «Datafolha de 29 de setembro para presidente: rejeição dos candidatos por região, renda, sexo, faixa etária e religião». G1. 29 de setembro de 2018. Consultado em 2 de outubro de 2018 
  33. «Rio de Janeiro tem manifestações a favor e contra Bolsonaro». Estadão. 29 de setembro de 2018. Consultado em 2 de outubro de 2018 
  34. https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/09/29/manifestantes-fazem-atos-a-tarde-contra-e-favor-de-bolsonaro.ghtml  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  35. «#EleNão: A manifestação histórica liderada por mulheres no Brasil vista por quatro ângulos». BBC Brasil. 30 de setembro de 2018. Consultado em 2 de outubro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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