Raul Mourão

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Raul Mourão (Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1967) é um artista plástico brasileiro, seu trabalho compreende a produção de esculturas, instalações, desenhos, vídeos, fotografias, performances e textos.

Biografia[editar]

Durante a infância, seu contato com a arte se faz através de visitas a museus, com a família, e da observação de pinturas e desenhos que o pai realiza como hobbie. Na adolescência, desenvolve grande interesse por cinema, literatura, música e esportes. Na segunda metade da década de 1980, faz cursos livres de fotografia e oficinas teóricas de cinema, no Cineclube do Estação Botafogo, local que passa a freqüentar com assiduidade. O contato com diferentes áreas culturais, assim como o interesse pelo esporte e pelas poéticas da cidade e da rua, são fundamentais no desenvolvimento do seu trabalho.

Em 1986 inicia curso de graduação em Comunicação, na Faculdade Helio Alonso. No mesmo ano, inscreve-se no curso de pintura, Bloqueios Criativos, realizado por Charles Watson, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro. Começa a estagiar numa produtora independente de vídeo. Tem, neste momento, o primeiro contato com operação de câmeras e ilhas de edição.

No ano de 1988 transfere-se para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Santa Úrsula. Volta a ter aulas na EAV-Parque Lage que, neste período, é dirigida pelo crítico de arte Frederico Morais.

Ao longo dos três anos seguintes, Mourão freqüenta a escola participando de cursos e realizando pequenas mostras. Neste período, conhece e convive com outros alunos como Afonso Tostes, Ana Rondon, Augusto Herkenhoff, Cabelo, Cassia Castro, Daniel Feingold, José Bechara, José Damasceno, Marcelo Rocha, Marcia Thompson, Tatiana Grinberg, entre outros. Nesta época, também se aproxima de artistas da chamada Geração 80, como Alex Hamburguer, Analu Cunha, André Costa, Barrão, Marcia X, Marcus André, Marcos Chaves, Luiz Zerbini, Ricardo Basbaum, Ricardo Becker, Ricardo Maurício e Roberto Tavares.

Em 1989 faz os primeiros registros fotográficos das grades utilizadas para proteção, segurança e isolamento, que são encontradas nas ruas do Rio de Janeiro. Estes registros acabam gerando a pesquisa Grades, que Mourão desenvolve sobre a paisagem urbana ao longo dos anos seguintes.

Transfere-se 1990 para o curso de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Divide atelier, por um curto período, com José Damasceno, na Rua Taylor. Nesta época, o artista realiza as primeiras experimentações tridimensionais, produzindo esculturas e objetos como Cream Cracker e Ovo Violão. Cria, em parceria com Damasceno, o artista fictício Cafio, uma espécie de heterônimo dos dois artistas.

Anos 90[editar]

No ano de 1991 participa do 15º Salão Carioca de Arte, na EAV-Parque Lage. Mourão apresenta três desenhos e fica em segundo lugar na premiação do júri formado pelos críticos de arte Frederico Morais, Ligia Canongia, Marcus de Lontra Costa, Paulo Venâncio Filho e Reynaldo Roels. Mourão, que participa pela primeira vez de uma exposição e de um salão, têm seu trabalho e premiação divulgados com grande destaque na mídia da época.

No iníco do ano de 1992 passa a dividir ateliê com Angelo Venosa, Cassia Castro, José Bechara e Luiz Pizarro, num grande casarão da Rua Visconde de Paranaguá.

Em março, realiza uma pequena mostra intitulada Esculturas Desenhos, na Livraria By the Book, Rio de Janeiro. Nesta mini-individual, Mourão apresenta duas esculturas em chapas de ferro galvanizado e dois desenhos em óleo sobre papel. No mês seguinte, participa de exposição coletiva na Galeria de Arte UFF, Niterói. A convite de Ricardo Basbaum, realiza mostra com José Damasceno, no Espaço de Arte Contemporânea do Atelier Vila Isabel, Rio de Janeiro.

Ainda em 1992 conhece o diretor de cinema Roberto Berliner e inicia parceria de trabalho que, ao longo dos anos 1990, leva Mourão a realizar a co-direção e a direção de arte de videoclipes (Skank, Os Paralamas do Sucesso, Lobão, Pedro Luís e a Parede, entre outros) e documentários (série Som da Rua e A pessoa é para o que nasce).

Em 1993 junto com os artistas plásticos André Costa e Marcos Chaves, realiza a exposição Desenhos, na Galeria IBAC Sérgio Milliet/Funarte, Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, em Curitiba, é apresentada a mostra Tatiana Grinberg e Raul Mourão, no Museu Guido Viaro.

Em julho, participa da mostra 11 Pontos no Espaço Público, com Carla Guagliardi, Cristina Pape, Cristina Salgado, Eduardo Coimbra, Jorge Duarte, Marcelo Lago, Mauricio Bentes, Pedro Paulo Domingues, Ricardo Ventura e Simone Michelin, no Museu da República, Rio de Janeiro.

Escultura Sem Título apresentada no 17º Salão Carioca de Arte, na EAV-Parque Lage, 1993

Participa do 17º Salão Carioca de Arte, na EAV-Parque Lage, onde apresenta a escultura Sem Título, que remete à situação da penalidade máxima do jogo de futebol. Este é o primeiro trabalho do artista, que dialoga com o esporte.

A convite de Everardo Miranda, apresenta Humano, sua primeira exposição individual, realizada na galeria do Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro, no mês de novembro. Nesta exposição, o artista apresenta trabalhos em mármore, ferro, vidro e água.

Em 1994 participa da exposição Preto no Branco e/ou..., na EAV-Parque Lage, que também reúne os artistas plásticos Amador Perez, Anna Maria Maiolino, Franz Weissmann, Maria do Carmo Secco, Mira Schendel e Manoel Fernandes. Mourão apresenta desenhos em óleo sobre papel. O crítico de arte Paulo Herkenhoff escreve texto, publicado no folder da mostra, no qual comenta sobre o trabalho de Mourão:

"Nesta exposição a obra de Raul Mourão parece deliberadamente propor uma confusão. A matéria bruta dos empastes de papel oleoso, contrasta no jogo de claro/escuro gráfico da “figura”, linha gestual ou linha de contorno. (…) Se isso é desenho, estranha é a sua opulência de corpórea. Se isso é pintura, marcante é uma vontade gráfica incorporada em carga pictórica. No entanto, indagar se pintura ou desenho seria aqui dúvida ociosa, nesse processo histórico de expansão do campo das linguagens. (…) Nessa obra pode ainda ser encontrada uma disparidade de humores. Há jogos visuais graves, severos. Há outros irônicos. A consequência centra-se num vocabulário de estranhezas, de formas primitivas, fantasmáticas."

Participa de três coletivas no Paço Imperial, Rio de Janeiro: Novos Noventa, Matéria e Forma e Escultura Carioca.

Em Matéria e Forma, Mourão apresenta as esculturas "Esporte" e "Morte". A exposição, da qual também participam os artistas plásticos Ernesto Neto, José Bechara e Marcus André, tem curadoria do crítico de arte Luiz Camillo Osório.

Em janeiro de 1995 participa da exposição Quatro Quadros fase 8, no Centro Cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro.

Na galeria do Espaço Cultural Sérgio Porto, realiza o vídeo 7 artistas, para o qual convida os artistas plásticos André Costa, Barrão, Carlos Bevilacqua, Eduardo Coimbra, Marcia Thompson, Marcos Chaves e Ricardo Basbaum. Mourão os pendura com cintos de alpinismo nas paredes da galeria, filmando a ação e o espaço expositivo ocupado por eles. Valendo-se do humor e da ironia, o artista realiza o seu primeiro trabalho em vídeo, abordando o universo da arte. Com duração de 60 segundos, 7 artistas tem direção de fotografia de Paulo Violeta e edição de Leonardo Domingues. Segundo Mourão, “este trabalho é uma espécie de gag visual, na qual artistas e obras se confundem e ocupam o mesmo lugar.”

Em junho deste ano, Mourão, Eduardo Coimbra e Ricardo Basbaum lançam, na EAV-Parque Lage, a revista item, concebida e editada pelos três. A item-1 apresenta desenho de Artur Barrio e textos de Leonilson, Lygia Pape, Ricardo Basbaum, Sergio Romagnolo. Este primeiro número, com conteúdo totalmente inédito, tem como tema os textos de artistas.

A Item-2, cujo tema é música, apresenta desenho de Hermeto Pascoal e textos de Ronaldo Brito, Arthur Omar, Nuno Ramos, Itamar Assumpção, Paulo Herkenhoff e José Thomaz Brum. Publicado em outubro, este segundo número é lançado no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Brasília e em Goiânia. A partir do número seguinte, Mourão já não participa mais da edição da revista.

Realiza em 1996 o trabalho Auto-retrato com maçã e participa das exposições Rio: panorama, no Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho; Esculturas no Paço, no Paço Imperial, e Amigos do Calouste, no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, todas no Rio de Janeiro.

Na mostra Rio: Panorama, Mourão apresenta a intervenção "Casa/ Árvore/Rua", na Praia do Flamengo.

Realiza desenho para o encarte do CD "Nove Luas" dos Paralamas do Sucesso. Para este projeto, também são convidados os artistas plásticos Beatriz Milhazes, Barrão, Daniel Senise, Ione Saldanha, Lygia Pape e Victor Arruda, que, assim como Mourão, apresentam trabalhos inspirados na Lua.

No mês de novembro, Mourão realiza a sua segunda exposição individual, na Galeria Ismael Nery do Centro de Artes Calouste Gulbenkian. Apresenta quatro esculturas em ferro e uma imagem digital. Por ocasião da mostra, há um debate com o artista plástico Marco Veloso, que também escreve texto sobre o trabalho de Mourão, cujo título é Um lugar que não existe:

"(…) Objetos da vida cotidiana são arrancados de seus contextos, delicadamente, por uma poética lançados no ambiente da arte, feitos em ferro e, então, agressivamente, inseridos numa linguagem artística de quase nonsense. Pode ser uma trave de futebol, uma vassoura, um gaveteiro ou um guardanapo sobre um copo. Se todo aquele que faz arte caracteriza-se por um estilo, este misto de violência e sensibilidade são a assinatura de Raul. Mas, não há regras em arte e Raul talvez nem mesmo tenha um estilo."

Em 1998 participa das exposições Mercoarte, no Museo Juan C. Castagnino, Mar del Plata, Argentina; e Markt 98, organizado por Claudia Zarvos, Evangelina Seiler e Paula Terra, no Humaitá, Rio de Janeiro.

Cartoon, exposta na Mostra Brasil + 500, Museu de Arte Moderna, Buenos Aires, 2001

Em 1999 participa da exposição Retratos Falados, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, para a qual realiza trabalho sobre a personagem Capitu do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis. Em julho, apresenta a escultura Cartoon na mostra Fundição em conserto, na Fundição Progresso, Rio de Janeiro. Para este trabalho, o cineasta Piu Gomes escreve o seguinte texto:

"A cena é clássica: do alto, o objeto pesado despenca em cima do personagem, que estatelado, fica a ver estrelas no ar. CARTOON transporta a ironia de um dos ícones do cinema de animação para o espaço da arte. Um corpo sem cabeça, literal paletó de madeira que termina na grande caixa, pesada, desproporcional. / Estamos perante o achatamento do pensamento racional, esmagado por uma blitzkrieg emocional? Ou constatamos que a vida real pode ser tão imprevisível como o mundo do desenho animado, onde as coisas desabam sobre a gente sem aviso prévio? / Você viu o cabeção por aí? Dizia uma canção dos Golden Boys. Stop making sense, dizia uma canção dos Talking Heads. CARTOON radicaliza essa proposta sendo fiel ao universo que o originou: simplesmente, nonsense. Quebre a cabeça."

Realiza a intervenção Termas, no evento Almanaque 99 que acontece ao longo deste ano, no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, e é organizado por pelo poeta Chacal, pelo artista plástico José Bechara e pelo músico Domenico Lancellotti.

No mês de setembro, em parceria com Eduardo Coimbra e Ricardo Basbaum, funda e coordena o Agora - Agência de Organismos Artísticos, criado para atuar de forma dinâmica e independente na concepção e realização de projetos, que visam ampliar o campo de atuação e debate da arte contemporânea brasileira.

Na Fundição Progresso, realiza a exposição Sintético, produzida pelo Agora, na qual apresenta 5 pinturas, "Sente-se", "Alcoólatra: indivíduo dado ao vício do álcool", "Patas", "Bolas", "MAM", "Carro/Árvore/Rua" e "Barcos/Cabeça". No folder publicado na ocasião são apresentados trechos de uma conversa, através da secretária eletrônica, entre Mourão e a artista plástica Laura Lima, que também inaugura exposição no local. Numa das mensagens, Mourão cita um trecho do livro Quincas Borba, de Machado de Assis, que remete ao universo e pensamento presentes em seu trabalho:

"Quem conhece o solo e o sub-solo da vida sabe muito bem que um trecho de muro, um banco, um tapete, um guarda-chuva, são ricos de idéias ou de sentimentos, quando nós também o somos, e que as reflexões de parceria entre os homens e as cousas compõem um dos mais interessantes phenomenos da terra."

Em novembro, apresenta exposição com Ana Linneman, Fernanda Gomes e Marcos Chaves, na Mercedes Viegas Escritório de Arte, no Rio de Janeiro. Participa da mostra A imagem do som de Chico Buarque, no Paço Imperial, com a obra "Surdo-Mudo", criada a partir da música Vai Passar.

No mês seguinte, participa da exposição Os 90, no Paço Imperial, a convite da artista plástica Iole de Freitas, uma das curadoras da mostra. Apresenta a instalação "Não Realizados", composta por peças que fazem parte de projetos de grande escala desenvolvidos por Mourão.

Anos 2000[editar]

Em maio de 2000, Mourão, Eduardo Coimbra, Ricardo Basbaum e Helmut Batista, fundam e passam a coordenar o Espaço Agora/Capacete, fruto da união dos grupos Agora e Capacete Entretenimentos, localizado na Rua Joaquim Silva, na Lapa, Rio de Janeiro. A coordenação de produção fica a cargo da historiadora Luiza Mello. No evento de inauguração, o grupo Chelpa Ferro apresenta a performance A garagem do gabinete de Chico.

Em junho, o Agora inicia a publicação de uma coluna semanal de arte contemporânea, no site super11. Para a coluna, que é apresentada durante três meses, Mourão escreve alguns textos. Participa da mostra La imagen del sonido de Chico Buarque, no Centro Cultural Borges, Buenos Aires, Argentina.

Participa, no mês de novembro, da mostra A imagem do som de Gilberto Gil, no Paço Imperial, na qual apresenta, pela primeira vez, uma obra da série Grades, intitulada "Protótipo".

Em março do ano de 2001, organiza a individual de Fernanda Gomes, no Espaço Agora/Capacete. Escreve o texto "Visita à camarada F.", sobre o trabalho da artista, que é publicado no site super11. Por ocasião da exposição, Mourão participa de um debate com Paulo Venancio Filho.

Em julho, o Espaço AGORA/Capacete é selecionado pelo programa Petrobras Artes Visuais. O projeto aprovado inclui a realização de seis exposições, a publicação de dois números da revista item e a construção de um site.

Participa da criação da Tecnopop, produtora de design multimídia, com os designers Marcelo Pereira e Sonia Barreto, o jornalista Luis Marcelo Mendes e o empreendedor Rodrigo Machado. Em 2003, o designer e arquiteto André Stolarski passa a integrar o grupo de sócios da empresa.

A pesquisa Grades/Rio de Janeiro/2000 é selecionada pelo 6º Programa de Bolsas RIOARTE, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Com o apoio da bolsa, Mourão desenvolve a pesquisa durante um ano [de setembro de 2001 a 2002], se dedicando a registrar as grades no espaço urbano. A pesquisa, que se restringia ao Rio de Janeiro, passa a abranger as cidades de Porto Alegre, São Paulo e Vila Velha. Segundo o artista:

"(…) a ocupação desordenada das vias públicas que observamos no Rio também de repete nestas cidades. O caos é o mesmo e acabei descobrindo novos objetos-estruturas-grades: carrinhos de catadores de papel, cercas de árvore, o esqueleto das barracas de camelôs, churrasqueiras improvisadas, cavaletes, etc. Tudo isso foi fotografado e esse novo material acabou sendo incorporado à pesquisa.”

Em outubro, realiza a vídeo-performance "Artistas", na III Bienal do Mercosul, Porto Alegre, na qual retoma a idéia desenvolvida em "7 Artistas". Mourão convida os artistas plásticos Lucia Koch, Mário Ramiro e Nelson Rosa para participar da performance realizada na noite de inauguração, no Hospital Psiquiátrico São Pedro. Os três são pendurados, com equipamentos de alpinismo, nas paredes do espaço expositivo, e permanecem assim por uma hora, enquanto o espaço fica aberto para os convidados. A ação é registrada por várias câmeras. No dia seguinte, posicionados nos mesmos locais e presos com os mesmos equipamentos, encontram-se monitores de vídeo, que apresentam registros de cada artista, com duração de 58 minutos. Mourão também apresenta a escultura A "Grande Área", com as dimensões oficias do campo de futebol, conforme regulamento da FIFA. A obra integrou a mostra de itervenções urbanas, realizada no Parque Sirotski Sobrinho.

A instalação O carro/A grade/O ar, exposta no Panorama da Arte Brasileira, 2001, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

No mesmo mês, Mourão apresenta a instalação "O carro/A grade/O ar" na mostra Panorama da Arte Brasileira, com curadoria de Paulo Reis, Ricardo Basbaum e Ricardo Resende, no Museu de Arte Moderna, São Paulo. Participa da exposição Outra Coisa, realizada pelo Agora, no Museu Vale do Rio Doce, Vila Velha, junto com Brígida Baltar, Eduardo Coimbra, João Modé e Ricardo Basbaum. No texto de apresentação da mostra, o crítico de arte Paulo Sergio Duarte escreve:

"(…) O veio reflexivo da arte contemporânea no Brasil conseguiu se manifestar, com evidente contundência plástica, numa poética rica e generosa em relação ao espectador, sem abrir mão da complexidade necessária para a exploração crítica de limites e fronteiras. É dentro desta tradição recente que esses trabalhos se inscrevem. A riqueza individual de cada uma das obras é evidente e caberia uma longa dissertação para apontar suas contribuições, e no entanto, cabe sublinhar um traço comum: a pesquisa formal desses artistas atreve-se a romper sem medo certos tiques recentes da arte brasileira que amesquinham sua história.”

Neste ano, apresenta a obra "Para montar" na exposição Orlândia, organizada por Marcia X e Ricardo Ventura, em Botafogo, Rio de Janeiro. Participa da exposição A imagem em jogo, com curadoria de Karla Osório Netto, no Espaço Cultural Contemporâneo Venancio, Brasília; e da Mostra Brasil + 500, no Museu de Arte Moderna de Buenos Aires, Argentina, na qual apresenta a escultura "Cartoon". É convidado pela curadora Nessia Leonzini para as exposições Coleções I, na Galeria LGC, Rio de Janeiro, e Coleções II, na galeria Luisa Strina, São Paulo.

Em novembro, inaugura a exposição A imagem do som de Antonio Carlos Jobim, na qual Mourão apresenta o trabalho "Ela é carioca".

Em março de 2002, a exposição Love’s House, idealizada por Mourão e produzida pelo Agora, reúne treze artistas cariocas: Brígida Baltar, Carla Gagliardi, Chelpa Ferro, Eduardo Coimbra, Fernanda Gomes, João Modé, Laura Lima, Lívia Flores, Marcos Chaves, Ricardo Basbaum, Ricardo Becker, Tatiana Grinberg e o próprio Mourão. Durante uma semana, simultaneamente à XXV Bienal de São Paulo, cada artista ocupa um quarto do terceiro andar do hotel Love’s House, que fica ao lado da sede do Agora, na Lapa. No quarto 303, Mourão apresenta "Área de queda", instalação da série Grades, composta por três peças em ferro pintado de branco.

Realiza o vídeo-documentário "Cão/Leão", que apresenta o dia de um cachorro vira-lata. Segundo Mourão, "o vídeo é um paródia de reallity show que transforma a rotina do vira-lata. De figura desprezada e abandonada, o cachorro se transforma em personagem principal de um filme, centro das atenções de uma equipe de filmagem. Uma mistura sarcástica de imagens National Geographic e narrativa Walt Disney. Do anonimato ao estrelato em apenas 15 minutos." O vídeo, com duração de 45 minutos, é dirigido por Mourão em parceria com a diretora Paola Vieira e edição de Leonardo Domingues.

No mês seguinte, escreve texto para a exposição Estímulo Puro, de João Modé, que encerra as atividades do Agora. A agência, ao longo dos quase três anos de atividade, realizou trabalhos com os artistas Antoni Muntadas, Brígida Baltar, Carlos Bevilacqua, Chelpa Ferro, Fernanda Gomes, Foreign Investment, João Modé, Jordan Crandall, Karin Schneider, Laura Lima, Livia Flores, Nicolás Guagnini, Tatiana Grinberg, e com os críticos e curadores Claudio Dacosta, Glória Ferreira, Ligia Canongia, Paulo Herkenhoff, Paulo Sergio Duarte, Paulo Venâncio Filho e Ronaldo Barbosa.

Em maio, realiza a exposição Portátil - 98/02, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, sua primeira individual em São Paulo. Publica o texto Veículo Rastreado, de sua autoria, no folder da mostra. Mourão apresenta o objeto "A Grande Área", o díptico "Cartões", as esculturas "Surdo-Mudo" e "Banco", o vídeo-objeto "Artistas/Mário Ramiro" e uma escultura da série Grades.

Em junho, apresenta a exposição Carga Viva, na Celma Albuquerque Galeria de Arte, sua primeira individual em Belo Horizonte. O artista José Bechara realiza mostra concomitante na galeria. Mourão apresenta esculturas e serigrafias da série "Grades", "Cartões", "Sem braços e sem cabeça" e o vídeo-objeto "Artistas/Lucia Koch"'. No texto do catálogo das mostras, o crítico de arte Fernando Cocchiarale, escreve:

"Ao contrário da lógica do ready made, as apropriações feitas por Mourão restringem-se, em sua maioria, à esfera dos materiais de trabalho, determinada, com freqüência, pela analogia com a matéria-prima usada nos objetos reais que servem de referência às recriações do artista. (…) Ele quase nunca utiliza objetos previamente produzidos. Toma-os, antes, enquanto referência para seu trabalho, jamais como modelos. No entanto, não existe aqui, também, por oposição ao ready made, qualquer proximidade com a valorização do artesanato, da mimesis, ou de outras formas de representação."

No Rio de Janeiro, também participa das exposições coletivas Caminhos do contemporâneo 1952/2002, no Paço Imperial; A cultura em tempos de AIDS, no Museu Nacional de Belas Artes; e Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna. Esta última, itinera, em seguida, para o MAM-Bahia.

Em agosto de 2003, o artista apresenta a exposição Cego só bengala, no Centro Universitário Maria Antonia da USP. Mourão expõe a série de fotografias DRAMA.DOC e esculturas, realizadas a partir da pesquisa Grades. No catálogo da mostra, a crítica de arte Daniela Labra escreve:

"Numa paródia provocativa, Mourão recorta certa situação do panorama da urbe e a cola no espaço físico reservado à Arte. Do seu particular fascínio com grades, o artista explora a questão social embutida na histérica importância dada a essas estruturas e principalmente o lado plástico do absurdo anti-estético de muitas construções que acabam tornando-se “sub-arquiteturas” em nome da segurança reforçada. A cidade nos serve diariamente um banquete de visualidades mas, acostumados com aberrações ao redor, passeamos incólumes pelas vias congestionadas de sujeiras e maravilhas, esquecidos de que tudo o que se vê é produto e consequência de nós mesmos."

Participa das exposições Infantil, na A Gentil Carioca; Nano Exposição, na Arte em Dobro; e Sidaids, realizada pelo SESC-RJ; no Rio de Janeiro. Em Vila Velha, participa da mostra O sal da terra, no Museu Vale do Rio Doce.

Em novembro, apresenta a exposição Pequenas Frações, primeira individual realizada pela galeria LURIXS Arte Contemporânea, Rio de Janeiro. Nesta mostra, Mourão reúne trabalhos elaborados a partir de imagens, sinais, símbolos e marcos do cotidiano da cidade e de sua própria vida. "Caderno de anotações", por exemplo, é uma animação digital, de 20 minutos de duração, feita a partir de desenhos retirados de seus cadernos pessoais. Mourão também apresenta as serigrafias "Maracanã enterrado", "Escultura para Waly" e "Mata-mata", duas esculturas da série "Boxer" e duas pinturas em tinta automotiva e fórmica sobre MDF.

Instalação "Entoces" no Instituto Tomie Ohtake, 2004

Em 2004, a convite do crítico de arte e curador Agnaldo Farias, apresenta a instalação Entonces, da série Grades, na mostra SP 450 Paris, no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Farias escreve o texto Signos Ásperos, sobre a obra de Mourão.

Em abril, realiza a exposição Entonces no Paço Imperial, na qual Mourão apresenta instalação composta por 100 esculturas de ferro. Sobre a exposição, o crítico de arte Luiz Camillo Osório escreve:

"Entonces, que é o sugestivo título da exposição, parece se desdobrar em uma pergunta sobre o que fizemos de nosso espaço urbano. Nós nos protegemos e nos enclausuramos, este é o paradoxo de uma cidade em pânico. (…) Assim como em outros momentos de sua trajetória, é também a ambivalência entre signo e forma algo determinante nesta obra. A desconstrução do signo e a constituição da forma vão se processar no deslocamento "das grades" para a galeria, na perturbação da funcionalidade, na produção de um não-lugar." (Fonte: Segundo Caderno do Jornal O Globo, 18 de maio)

Convidado para a segunda edição dos projetos especiais do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o artista apresenta, em junho deste ano, a exposição DRAMA.DOC, composta por fotografias e esculturas. Sobre o trabalho de Mourão, o crítico de arte e curador Guilherme Bueno escreve:

"(…)Tomada a visualidade como ato afirmativo, o que se coloca, de certo modo, é um desafio histórico. Pois se a grade constituía o instrumento renascentista de vislumbre de uma ordem cósmica (a perspectiva) ou, no caso de um artista moderno como Mondrian, a expressão depurada rumo à libertação do sujeito no mundo através do olhar, aqui ela parece fazer retornar essa ansiedade em contramão: não é mais o objeto de atravessamento em direção a conteúdos puros, e sim a materialidade efetiva daquilo que nos cerca. (…)"

Neste ano, Mourão também participa da coletiva Casa: uma poética do espaço na arte brasileira, com curadoria de Paulo Reis, no Museu Vale do Rio Doce, Vila Velha. Também é convidado para as mostras Arte Contemporânea: Uma História em Aberto, com curadoria de Sônia Salzstein, no Galpão Roque Petroni; e Heterodoxia, no Memorial da América Latina, ambas em São Paulo. No Rio de Janeiro, participa das exposições Urbanidades, no Teatro Odisséia, e Arquivo Geral, realizada, no Jardim Botânico, por seis galerias cariocas durante o período da XXVI Bienal de São Paulo.

Em março de 2005, participa da exposição Rampa – signaling new latin american art initiatives, no ASU Art Mueum, Arizona, Estados Unidos.

A convite do grupo Chelpa Ferro, apresenta a obra Lulaeletrônico, na fachada da Galeria Vermelho, São Paulo, durante a exposição realizada pelos artistas, no mês de setembro.

No Rio de Janeiro, participa das mostras Razão e Sensibilidade, no projeto Encontro com Arte 2005, na galeria da Casa Cor; e Arte Brasileira Hoje, no MAM-RJ.

Em novembro, realiza a exposição Luladepelúcia, na LURIXS Arte Contemporânea. A partir da imagem do Presidente Lula, Mourão produz industrialmente 100 bonecos de pelúcia, além de desenhos e trabalhos gráficos em parceria com os artistas Barrão, Carlos Vergara, Fábio Cardoso, Lenora de Barros, Luiz Zerbini e Marcos Chaves. Escrevem textos sobre o trabalho, o publicitário André Eppinghauss, Daniela Labra, Fausto Fawcett, Marcelo Pereira, o crítico de arte Paulo Reis, Piu Gomes e o artista plástico André Sheik. A série de trabalhos apresentada na mostra, que tem repercussão imediata na mídia nacional, começou a ser pensada pelo artista quando o Presidente tomou posse, em janeiro de 2003.

Participa da exposição Espace urbain x Nature instrinsèque, no Espace Topographie de l’art, Paris, França. Com curadoria de Evangelina Seiler, a mostra reúne obras de 13 artistas brasileiros, além de Mourão: Brígida Baltar, Cao Guimarães, Eduardo Srur, Fabiana de Barros e Michel Favre, Gabriela Greeb, João Modé, Lia Chaia, Lia Mena Barreto, Lucia Koch e Marcos Chaves.

Em maio de 2006, realiza a exposição Luladepelúcia e outras coisas na galeria Oeste, São Paulo, apresentando nova série de personagens ainda inspirados na figura do presidente. Mourão convida 20 artistas para realizar os desenhos em parceria com ele: Afonso Tostes, Artur Lescher, Barrão, Carlito Carvalhosa, Carlos Bevilacqua, Daniel Steegmann, Ding Musa, Eduardo Coimbra, Fabio Cardoso, Guto Lacaz, José Spaniol, Leda Catunda, Lenora de Barros, Marco Gianotti, Marcos Chaves, Nina Moraes, Paulo Climachauska, Renata Lucas, Rochelle Costi e Sergio Romagnolo.

Participa das exposições Dwell, no ASU Art Museum, Arizona, Estados Unidos; II Bienal Internacional Ceará de Gravura, no Museu de Arte Contemporânea / Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza; É HOJE na arte brasileira contemporânea – coleção Gilberto Chateaubriand, no Santander Cultural, Porto Alegre. No Rio de Janeiro, apresenta trabalhos nas mostras Futebol é coisa de 11, na Galeria do Lago, Museu da República; Universidarte XIV, na Universidade Estácio de Sá, e Arquivo Geral, com curadoria de Paulo Venancio Filho, no Centro de Arte Hélio Oiticica.

No ano de 2007 apresenta sua terceira exposição individual na galeria Lurixs Arte Contemporânea, exibindo duas séries de trabalhos, todos produzidos no mesmo ano. Na série Fitografias mergulhou na observação do comércio informal de bebidas do Rio de Janeiro se apropriando da geometria colorida das fitas adesivas que protegem as caixas de isopor dos vendedores ambulantes para realizar telas e um objeto tridimensional com faixas de fórmica coloridas aplicadas sobre MDF. No outro conjunto de esculturas que completa a exposição, Mourão mistura caixas com pequenas mesas e bancos criando obras que se assemelham a objetos do cotidiano, mas destituídos de suas características funcionais.

Ainda no mesmo ano monta na 3+1 Arte Contemporânea (Lisboa - Portugal) a individual Mecânico, onde apresenta trabalhos da série "Fitografias", "Caderno de anotações" e o vídeo "Cão/Leão".

Em 2008 na Caixa Cultural do Rio de Janeiro participa da exposição coletiva Travessias Cariocas com a instalação Daisy e eu, resultado da experiência proposta pelo poeta e crítico Adolfo Montejo Navas, onde cada artista participante deveria se apropriar da poética de outro integrante da coletiva. No caso, Raul inspira-se na obra da artista Daisy Xavier.

No ano seguinte apresenta instalação na exposição "Experimentando espaços[ligação inativa]" no Museu da Casa Brasileira, com curadoria de Agnaldo Farias.

Anos 10[editar]

Vista da instalação Passagem de Raul Mourão na Caixa Cultural, Rio de Janeiro. Foto de Beto Felício.

2010 foi um ano de transição para a obra de Raul Mourão. Inspirado em experiências que bailarinos da companhia de dança Intrépida Trupe desenvolviam com algumas de suas esculturas da série "Grades", para apresentação do espetáculo "Coleções", Raul percebeu a possibilidade de criação de esculturas cinéticas. O que marcou esta transição foi a apresentação da instalação "Passagem" em março na Caixa Cultural do Rio de Janeiro.

Nos meses que se seguiram foram três exposições individuais onde apresentou esculturas cinéticas: Balanço Geral no Atelier Subterrânea, Porto Alegre, em março; Cuidado Quente na Galeria Nara Roesler, São Paulo, no mês de agosto e Chão, Parede e Gente na galeria LURIXS: Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, em setembro.

Referências[editar]

  • HERKENHOFF, Paulo; FILHO, Paulo Venancio & FARIAS, Agnaldo. Raul Mourão (coleção ARTE BRA). Rio de Janeiro: Casa da palavra, 2007. ISBN 978-85-7734-045-3
  • ANDRADE, Luís. Love's House. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.
  • MELLO, Luiza. Quatro. Visões da arte contemporânea brasileira. Monografia de pós-graduação. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2003.
  • GOLÇALVES, Marcos Augusto. Lula de Pelúcia, Revista Bravo, São Paulo, n. 98, novembro, 2005.

Ligações externas[editar]


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